sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Neto de encomenda

O menino não gostava de ser bajulado. E seus avós haviam se deslocado do Rio de Janeiro para Manaus, só para isso. Quatro horas de voo cego sobre a floresta amazônica para ver o bicho do mato. Quebram teima com amor.

Mas o garoto não gostava do chamego dos dois. — Pára, vô! Não encha o saco!

— Duda, não trata o seu avô assim. Ele é o pai da sua mãe. Gosta muito de você!

— Não torra a paciência, vó! Por que você não volta pra casa? Vai embora!
A vovó Tita corou de vergonha. “Que pivete metido”!

— Você está me mandando embora?

— Estou vó! Pega as suas coisas e vá para o Rio!
Tita que estava de saída para o mercado, desceu os quatro andares de escada, recobrando os sentidos. Deve estar brincando. Não pode ser tão mal criado. Ele é tão bonzinho.

Ainda zonza, com os gritos do neto, zunindo na cabeça, chegou à rua. Caminhou uns passos miúdos e ouviu os berros do pequeno, vindo da varanda.

— Ah! Era tudo troça. Ele está me chamando! Deve estar arrependido com o mal feito.

— Vó! Oh, vó! Vooolta!!!... Você esqueceu a sua mala!!!
 
 

3 comentários:

  1. Não tenho muito o que falar, porque como sempre todos estão muito bem escritos, parabéns meu irmão, você é uns dos presentes que Deus me deu...obrigado por você fazer parte da minha vida. beijos Marcia Macedo

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  2. Geraldo Ferreira de Lima14 de novembro de 2013 02:31

    Todo o ato de amor desfila num palco de sinceridade. Aqui, também fato ocorrido, mostra que mesmo as crianças têm momentos de insatisfação. Aqui também cabe um lembrete do editor: NÃO SE BRINCA COM CRIANÇA. Não fique pensando que vai amanhecer mijado. A cada acontecimento, ponha na conta da existência. Não lamente, atribuindo à má sorte. Não esqueça de carregar a mala.

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    1. Para as pessoas que não conhecem a historia....ela é verdadeira

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