
Se as meninas dos meus olhos
não enxergam o céu da boca,
não diria ser a sina
do malfadado agouro.
Não desinventaram ainda
as engrenagens da bela vida.
Se as meninas dos meus olhos
perderam seu brilho cristalino,
vale lacrimal não transbordou seu jorro.
Lago de tantas imagens
não trouxe à tona as tinas
das lavadeiras antigas.
Dos louvamentos e dos louva-a-deus.
Das preces cantaroladas
nas águas bentas dos riachos,
escorrendo as rezas entre as pedras.
Rios dos lava-pés, de lavar roupas,
de lavar menina-dos-olhos.
Na palma da mão, um tanto de água,
pode ser um bocado de Deus.

