terça-feira, 13 de julho de 2010

O Elefante

O elefante no telhado
transformou aquela manhã de maio.
Não era um homem armado
nem uma mulher amada.
Era mesmo um paquiderme enorme.
As telhas intactas mantinham o imaginário da multidão
que se aglomerava para assistir
ao inusitado do elefante voador.
O guarda, a ambulância, o bombeiro.
O Ministério Público apresenta denúncias
do desmatamento das florestas.
Mazela que expulsa de seus habitats,
os animais acuados, para as cidades invasoras.
Consertar um telhado, depois do estrago do passo do elefante,
ainda é mais rápido que refazer os tetos das árvores;
Recuperar os mananciais das águas;
Reconstruir os ninhos dos passarinhos;
Quantos elefantes serão necessários
para derrubar as nossas cercas,
pisar em nossos jardins,
subir em nossos telhados...
para que tomemos a atitude de repensar o mundo?

3 comentários:

  1. Quantos, não sei. Mas o que sei é que vai faltar vida.
    Abraços.

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  2. Cada um faz o melhor que pode acredito, paz.
    Beijo Lisette

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