Te conto, mas não me pergunte,
como é que eu sei desta história.
A fome te engole por dentro
e tem um apetite voraz.
Te come as paredes do estômago
e toma o teu suco gástrico.
Queima as entranhas.
Apaga os sonhos.
Derruba o destino.
A fome te transforma
em homem de trapo.
Que come bolo de barro.
Engole sapo.
Toma água da chuva.
Sorri da mulher com chapéu.
Acha graça do sol e da lua.
O homem da rua não chora.
Não há desatino maior que aflore.
Não há tristeza que supere
a fome de todo dia.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
O Elefante
O elefante no telhado
transformou aquela manhã de maio.
Não era um homem armado
nem uma mulher amada.
Era mesmo um paquiderme enorme.
As telhas intactas mantinham o imaginário da multidão
que se aglomerava para assistir
ao inusitado do elefante voador.
O guarda, a ambulância, o bombeiro.
O Ministério Público apresenta denúncias
do desmatamento das florestas.
Mazela que expulsa de seus habitats,
os animais acuados, para as cidades invasoras.
Consertar um telhado, depois do estrago do passo do elefante,
ainda é mais rápido que refazer os tetos das árvores;
Recuperar os mananciais das águas;
Reconstruir os ninhos dos passarinhos;
Quantos elefantes serão necessários
para derrubar as nossas cercas,
pisar em nossos jardins,
subir em nossos telhados...
para que tomemos a atitude de repensar o mundo?
transformou aquela manhã de maio.
Não era um homem armado
nem uma mulher amada.
Era mesmo um paquiderme enorme.
As telhas intactas mantinham o imaginário da multidão
que se aglomerava para assistir
ao inusitado do elefante voador.
O guarda, a ambulância, o bombeiro.
O Ministério Público apresenta denúncias
do desmatamento das florestas.
Mazela que expulsa de seus habitats,
os animais acuados, para as cidades invasoras.
Consertar um telhado, depois do estrago do passo do elefante,
ainda é mais rápido que refazer os tetos das árvores;
Recuperar os mananciais das águas;
Reconstruir os ninhos dos passarinhos;
Quantos elefantes serão necessários
para derrubar as nossas cercas,
pisar em nossos jardins,
subir em nossos telhados...
para que tomemos a atitude de repensar o mundo?
sexta-feira, 18 de junho de 2010
José Saramago, o viajante do tempo
Sara, mago!
Saramago não sarou.
Pegou uma caravela, a mais bela,
e partiu para uma viagem
por mares nunca d’antes navegados.
E não era mágico de sobrenome.
Era de nome inteiro.
Das vinhas de José Saramago
vinha criação de boa cepa:
Quase um vinho pra degustação.
Embora hermético, rebuscado,
onde pareceres se misturam a conceitos,
levando os incautos leitores
para a estrutura do texto.
Em meio a letras portuguesas,
gigantescas, quase indomáveis,
vagam nas lides do intertexto.
Lutas para reconstruir o entendimento.
Penas domadas pelo mestre Saramago
que o levaram a dobrar o Cabo da Boa Esperança,
em merecimento, ao Prêmio Nobel da Literatura.
Único filho da língua de Camões, a galgar casta façanha.
E se Jesus é filho de José.
De José Saramago não é.
Este inventou um outro Deus
que vai levá-lo para um céu particular.
Onde não existem anjos nem demônios.
Estes perduram somente,
num mundo de outros Josés.
Saramago não sarou.
Pegou uma caravela, a mais bela,
e partiu para uma viagem
por mares nunca d’antes navegados.
E não era mágico de sobrenome.
Era de nome inteiro.
Das vinhas de José Saramago
vinha criação de boa cepa:
Quase um vinho pra degustação.
Embora hermético, rebuscado,
onde pareceres se misturam a conceitos,
levando os incautos leitores
para a estrutura do texto.
Em meio a letras portuguesas,
gigantescas, quase indomáveis,
vagam nas lides do intertexto.
Lutas para reconstruir o entendimento.
Penas domadas pelo mestre Saramago
que o levaram a dobrar o Cabo da Boa Esperança,
em merecimento, ao Prêmio Nobel da Literatura.
Único filho da língua de Camões, a galgar casta façanha.
E se Jesus é filho de José.
De José Saramago não é.
Este inventou um outro Deus
que vai levá-lo para um céu particular.
Onde não existem anjos nem demônios.
Estes perduram somente,
num mundo de outros Josés.
sábado, 12 de junho de 2010
Enfermeiros

A Fábio Pimentel e Pâmela que ora, colam Grau como enfermeiros e, mais tarde, pretendem juntar suas vidas.
A vida brincando de equilibrista em nossas mãos.
O acolhimento ao paciente feito por homens de gelo.
Estampado em nossas vestes.
Não necessariamente em nossas emoções.
De fio a pavio a costura no corpo.
Na mente a vontade de massagear a alma
que pulsa e quer voar ao desconhecido.
A nossa missão?
Sacramentada em juramento;
amarrá-la deste lado da existência.
E se perdemos o pulso?!
Vale a lágrima derramada.
Os mantenedores de vidas
são descobridores de caminhos
mas não conseguem abrir novas rotas.
São semeadores de esperanças
mas não colhem certezas.
Precisam de estrela
mas também trabalham com cruzes.
Enfermeiros são bombeiros
de incêndios corporais.
São anjos de um céu anunciado.
São instrumentistas
de um samba atravessado.
Sorrisos de bálsamo.
Afagos que curam.
A paciência que é novena.
A extrema-unção na contramão.
Desbravadores de veias e artérias.
Senhores da intrínseca máquina humana.
Detentores dos segredos dos milagres
São eles que abrem o agora
e fecham o depois.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
A cidade que queremos
Hoje a cidade grande
amanheceu enorme.
Os crimes dos jornais
ainda pereciam nas esquinas.
Nossos heróis do povo deslizavam
em trens incertos,
tocados pelo combustível
da comida incerta,
na busca dos quereres
massificados na tevê.
Houve um baile
de música sem melodia
no templo das danças indígenas.
Na noite fria
foram vendidas
duas mil e trinta e cinco
drogas extraídas das matas dos pajés.
Princípio básico
da exploração
dos sem-remédio.
As mulheres lindas,
como se não houvesse pranto,
desfilaram suas modas do exterior,
impunemente, como se fossem “made in Brazil”.
De nossos mesmo
restaram os sonhos.
Caminhos oníricos
de um mendigo
que no canto de uma esquina
dançava o reagge.
A cidade que queremos
vai continuar amanhecendo,
todos os dias se querendo.
amanheceu enorme.
Os crimes dos jornais
ainda pereciam nas esquinas.
Nossos heróis do povo deslizavam
em trens incertos,
tocados pelo combustível
da comida incerta,
na busca dos quereres
massificados na tevê.
Houve um baile
de música sem melodia
no templo das danças indígenas.
Na noite fria
foram vendidas
duas mil e trinta e cinco
drogas extraídas das matas dos pajés.
Princípio básico
da exploração
dos sem-remédio.
As mulheres lindas,
como se não houvesse pranto,
desfilaram suas modas do exterior,
impunemente, como se fossem “made in Brazil”.
De nossos mesmo
restaram os sonhos.
Caminhos oníricos
de um mendigo
que no canto de uma esquina
dançava o reagge.
A cidade que queremos
vai continuar amanhecendo,
todos os dias se querendo.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
O voo de Graça Carpes
sexta-feira, 30 de abril de 2010
André do Sapato Novo

imagem: fonte - cabecadecuia.com
Homenagem ao meu sobrinho André Lima - Seu sapato novo é o seu filho Filipe. Assim mesmo com "i".
André do sapato novo
Na boca do compositor
Não troque o passo soldado
Estufe o peito, encolhe a barriga
Estica as pernas
Abraça o mundo
Não vale olhar para trás
Ouça a corneta dos fortes
Recolhe as lágrimas
Esbanja um sorriso
Vencer é uma questão de honra
Marcha soldado
Cuidado com a Van
O vão é estreito
O tempo não é curto
O caminho é o mesmo
Será repetido em outras manhãs
Não deita nas curvas
Depois das esquinas
Moram dias, anos, toda uma vida
Filipe e Teresa são portos seguros
Lá vem o avião
Enganou o bobo
É só o lotação
Amarra o cadarço
Aperta o cinto
Disfarça o aperto
O sapato está um brilho
Lustra como o dono
Sapato de couro, do pé do sapato
Lá vai o André, elegante no passo
Caminha nas nuvens
De sapato novo.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Pássaros de Fogo

Ao meu sobrinho Rodolfo de Lima Correlo. Não existe horizonte que ele não possa ultrapassar.
Um pássaro criado em ninho alheio,
pode não alçar voo e não cantar.
As penas podem não ter brilho
e o seu colorido acizentar.
Mas se houver superação
e desapego às ausências,
pode, mesmo sem asas,
um pássaro voar.
E o trinar do pássaro mambembe
se transformar em encantador.
Dodo não é passarinho.
No entanto conhece bem
a história de ninhos.
Mesmo longe dos carinhos nativos.
Os recebeu em apreço da avó.
E tantos outros por empréstimo.
O bom da vida
não está à venda.
Está na conquista.
Deus concede sempre
uma segunda chance.
E lá vai o Dodo
seguir o teu caminho
de saltimbanco.
Vai crescer como o melhor homem
e incorporar valores humanitários.
Preparado para a etapa da desforra,
vai formar vida conjunta,
com a mais deusa da existência.
E com o amor apreendido
vai distribuir aos teus
os teus pedaços.
Dodo que sabe bem
a dor de um filho desgarrado,
não vai querer a tua cria
em ninho alheio.
Ontem, em voo rasante,
passou próximo à minha mangueira,
um pássaro gigante.
Parecia planar,
rodopiando no ar,
como se saltasse obstáculos.
Rente ao meu telhado
soltou o mais belo canto.
Era um pássaro desses
que bem conhecem o teu caminho.
Menino do Canaã

Ao meu sobrinho Rogrigo Zanoni. Não haverá distância que ele não possa superar.
No longe de Santa Teresa.
No Vale do Canaã.
Habita um menino
cercado por colibris.
A saudade veste
preguiçosas manhãs.Atrás de montanhas,
margaridas, magnólias
e de vacas equilibristas,
em grandes plantações de café.
Sacro de Santa Teresa.
Onde os homens não são letradossomente com as tintas de Portugal.
Reza aos quatro cantos,
uma cartilha com sementes da Itália.
Bravo Rodrigo, menino
com vestes da capital.Descubra quem pintou este sol
que invade o teu dia.
E que regador tão gigante
molha o perto e o distante.
Peça emprestado,
ao Ruschi,
o maior dos beija-flores.Cavalga céus e campinas.
Pinta e borda a tua vida.
Paira sobre o verde vale do Canaã
um irrequieto e teimoso silênciocomo se o mundo pudesse explodir
a qualquer momento,
num momesco carnaval.
É um bate bate de pilão.
Tem cheiro de café da roça
servido com pão da terra.
Domador de tormentas.
Artilheiro alvinegro.Detentor de estrela.
Disseminador de esperanças.
Brinde-nos com os teus hojes.
Os amanhãs ainda demoram a chegar.
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