À Alice Monteiro, poema extraído de suas memórias, com o desejo do aniversário mais feliz de sua vida.
Na rua da Alice Monteiro
mora o mundo inteiro.
Ela é poeta.
Ela é Estelar.
Antigamente,
passava na estação ferroviária,
um laranjeiro.
O saco inteiro
com laranjas graúdas
e, possivelmente, de frutas suculentas.
Levava o menino, para uma outra cidade,
o saco abarrotado de igualdade.
Para onde, naturalmente,
não se produziam laranjas.
Alice não entendia
a sina do menino de bermudas:
Já tão cedo a trabalhar.
Locomotiva da vida,
em que estação vai parar?
O laranjeiro franzino,
com sua agilidade,
sem desconfiar,
criara o comércio exterior.
Foi nessa época,
de observá-lo,
que Alice resolveu
entrar para o ramo.
E passou a exportar sonhos, paixões,
amores e enlaces.
Produtos fresquinhos,
em forma de versos,
tirados da alma e do coração.
O laranjeiro e a poeta
exportavam alegria e emoção.
Estrofes amarelas como o céu de outono.
Sacudiam no trem a transportar esperança.
Na rua da Alice Monteiro
cabe o mundo inteiro.
Só o laranjeiro, não se avista mais.
Mas chegam recados, nas letras estelares:
Abre-se este dia, que é só de alegrias,
com notícias nobres:
O menino das laranjas virou poesia!
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Se eu soubesse fazer poesia
À Dra. Laís Augusta.
Um anjo entre nós.
Feliz aniversário!
Queria poder conceber
uma poesia especial.
Que viesse embrulhada pra presente
e tivesse florestas e flores,
cachorros e pardais.
Que fosse augusta na concepção
e Laís na aventurança.
Se ainda tivesse traquejo, bordava as bordas
com rosas lilases e cipestres.
E pra ficar ainda mais bela
pregava uma foto dela
e pintava a caixa de azul.
Na minha poesia haveria dança,
refresco e coca-cola.
Sorrisos frequentes
e uma caixa de lágrimas
pra abrir só de vez em quando.
Existiriam crianças e quintais,
mangueiras e amoreiras.
E sagrado:
Rasgava com as mãos, o encontro das águas.
Se as chuvas molhassem os versos,
pintava um sol a seguir
e secava letra por letra.
Colocava um tiquinho de musicalidade
e girava no cântico do Amazonas
que possui a força dos pajés.
São eles os senhores das matas.
Santos meus da criação me iluminem
para que um dia eu possa
fazer uma poesia assim.
Nesse dia, com muito zelo,
eu vou ofertá-la com todo garbo,
à doutora Laís Augusta
que eu sei da existência dela, por já tê-la visto em ação.
Ela é um agente dos Céus:
Está na Terra, a serviço de Nosso Senhor.
Um anjo entre nós.
Feliz aniversário!
Queria poder conceber
uma poesia especial.
Que viesse embrulhada pra presente
e tivesse florestas e flores,
cachorros e pardais.
Que fosse augusta na concepção
e Laís na aventurança.
Se ainda tivesse traquejo, bordava as bordas
com rosas lilases e cipestres.
E pra ficar ainda mais bela
pregava uma foto dela
e pintava a caixa de azul.
Na minha poesia haveria dança,
refresco e coca-cola.
Sorrisos frequentes
e uma caixa de lágrimas
pra abrir só de vez em quando.
Existiriam crianças e quintais,
mangueiras e amoreiras.
E sagrado:
Rasgava com as mãos, o encontro das águas.
Se as chuvas molhassem os versos,
pintava um sol a seguir
e secava letra por letra.
Colocava um tiquinho de musicalidade
e girava no cântico do Amazonas
que possui a força dos pajés.
São eles os senhores das matas.
Santos meus da criação me iluminem
para que um dia eu possa
fazer uma poesia assim.
Nesse dia, com muito zelo,
eu vou ofertá-la com todo garbo,
à doutora Laís Augusta
que eu sei da existência dela, por já tê-la visto em ação.
Ela é um agente dos Céus:
Está na Terra, a serviço de Nosso Senhor.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Saudades do Futuro
Parto de Casalinho da Ajuda.
No Paço de Lumiar
já perco o passo.
Avisto o Tejo, em Lisboa,
de águas boas, vem me banhar.
Mar de Palha incendeia
Vila Franca de Xira e Benavente.
Luzes de Lisboa,
onde o rio vira mar.
Trazes a Espanha,
correndo por Portugal.
Até, ó pá, adentrares o oceano.
Estrada das caravelas.
Histórias das conquistas lusitanas.
Caseias o Parque Florestal de Monsanto.
Calhariz, beirando Furnas.
Tu não me enfurnas novidade,
velha Lisboa, áureas sementes.
Saudades do futuro.
Mouraria, Bairro Alto, Madragoa;
cheiras-me a fado, Portugal:
Vozes antigas de marinheiros, vadios e fidalgos.
O fado é cantado das entranhas.
Moçoilas aportam às janelas.
Pedem a Santo Antônio
o milagre do casamento.
Já vai longe o orçamento.
Dói no bolso a bravata de juntar almas.
Segue romaria dos pedintes,
no destino do Mosteiro dos Jerônimos,
ali, pertinho do Céu, onde moram os anjos.
Nossa Senhora da Lampadosa,
rogai pelos homens de fé.
Deitam-se Camões, Fernando Pessoa,
Sophia Andresen, Florbela Espanca
e tantos outros consagrados, em solo santo.
Escrevem o destino da aldeia boa.
Sentem saudades do futuro de Lisboa.
Na capital do sobe e desce.
Quantas ladeiras guardam seus quintais?
Quantas rotas formam seu futuro?
Quantas Lisboas cabem em suas ruas?
Trens ladeirinhos na terra dos obrigadinhos.
Graças, senhor! Graças, senhora!
Muito obrigado, por essa região tão graciosa!
Venha-nos Deus, ó Portugal!
No Paço de Lumiar
já perco o passo.
Avisto o Tejo, em Lisboa,
de águas boas, vem me banhar.
Mar de Palha incendeia
Vila Franca de Xira e Benavente.
Luzes de Lisboa,
onde o rio vira mar.
Trazes a Espanha,
correndo por Portugal.
Até, ó pá, adentrares o oceano.
Estrada das caravelas.
Histórias das conquistas lusitanas.
Caseias o Parque Florestal de Monsanto.
Calhariz, beirando Furnas.
Tu não me enfurnas novidade,
velha Lisboa, áureas sementes.
Saudades do futuro.
Mouraria, Bairro Alto, Madragoa;
cheiras-me a fado, Portugal:
Vozes antigas de marinheiros, vadios e fidalgos.
O fado é cantado das entranhas.
Moçoilas aportam às janelas.
Pedem a Santo Antônio
o milagre do casamento.
Já vai longe o orçamento.
Dói no bolso a bravata de juntar almas.
Segue romaria dos pedintes,
no destino do Mosteiro dos Jerônimos,
ali, pertinho do Céu, onde moram os anjos.
Nossa Senhora da Lampadosa,
rogai pelos homens de fé.
Deitam-se Camões, Fernando Pessoa,
Sophia Andresen, Florbela Espanca
e tantos outros consagrados, em solo santo.
Escrevem o destino da aldeia boa.
Sentem saudades do futuro de Lisboa.
Na capital do sobe e desce.
Quantas ladeiras guardam seus quintais?
Quantas rotas formam seu futuro?
Quantas Lisboas cabem em suas ruas?
Trens ladeirinhos na terra dos obrigadinhos.
Graças, senhor! Graças, senhora!
Muito obrigado, por essa região tão graciosa!
Venha-nos Deus, ó Portugal!
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Bonita é Daniela
Bonita é Daniela
que ao nascer
recebeu de seu avô
o pomposo título
de linda e bela.
E fofa também.
Foi com sorriso de cambucá,
cheiro de abricó, nódoa de jaca e fruta-pão,
que Daniela estreou
nas trilhas das lavadeiras.
Trouxa levava as outras.
Ela conduzia um amarrado de roupas.
Bonita é Daniela
que apesar de todo o trabalho,
nunca perdeu o encanto.
Somente em dias santos:
Quando se foi um filho,
para espanto, recém-nascido.
Sem dentes, sem olhar,
sem sonhos; era um anjo.
Hijo na caixa azul.
E nos deixou em prantos.
Em outro, por ter mais história,
Foi mais marcante a despedida.
Neste partiu seu avô.
Nem houve tempo
de lhe falar,
o que se houvesse
chance, diria:
Bonita é Daniela!
Linda e bela!
E fofa também.
Desde então, ela
enterrou o brilho no chão.
No entanto, plantou
a esperança no Céu.
Abriu uma outra
filial da alegria.
Buscou agradar aos filhos que já tinha.
Daniela deu Mira à vida.
Iluminou a saudade do Pinga.
Descerrou a voz do cantante.
Foi musa pros versos da poesia.
Passantes, errantes, pastores.
Pintores, compositores, poetas.
Publicitários e estilistas...
Prestem atenção ao calado.
Um comunista não foge à lida.
Mesmo que o discurso seja outro.
O homem que repartia
o alimento na bacia,
a tantos que em torno dela
conseguissem se juntar,
decretou e não aceita emendas:
Que a partir desta data poêmica.
Em todo o reino da existência.
Fica expresso em título e prosa
O que estas estrofes fazem saber.
Entre as mais lindas e belas...
Bonita é Daniela!
Palavra de seu avô.
que ao nascer
recebeu de seu avô
o pomposo título
de linda e bela.
E fofa também.
Foi com sorriso de cambucá,
cheiro de abricó, nódoa de jaca e fruta-pão,
que Daniela estreou
nas trilhas das lavadeiras.
Trouxa levava as outras.
Ela conduzia um amarrado de roupas.
Bonita é Daniela
que apesar de todo o trabalho,
nunca perdeu o encanto.
Somente em dias santos:
Quando se foi um filho,
para espanto, recém-nascido.
Sem dentes, sem olhar,
sem sonhos; era um anjo.
Hijo na caixa azul.
E nos deixou em prantos.
Em outro, por ter mais história,
Foi mais marcante a despedida.
Neste partiu seu avô.
Nem houve tempo
de lhe falar,
o que se houvesse
chance, diria:
Bonita é Daniela!
Linda e bela!
E fofa também.
Desde então, ela
enterrou o brilho no chão.
No entanto, plantou
a esperança no Céu.
Abriu uma outra
filial da alegria.
Buscou agradar aos filhos que já tinha.
Daniela deu Mira à vida.
Iluminou a saudade do Pinga.
Descerrou a voz do cantante.
Foi musa pros versos da poesia.
Passantes, errantes, pastores.
Pintores, compositores, poetas.
Publicitários e estilistas...
Prestem atenção ao calado.
Um comunista não foge à lida.
Mesmo que o discurso seja outro.
O homem que repartia
o alimento na bacia,
a tantos que em torno dela
conseguissem se juntar,
decretou e não aceita emendas:
Que a partir desta data poêmica.
Em todo o reino da existência.
Fica expresso em título e prosa
O que estas estrofes fazem saber.
Entre as mais lindas e belas...
Bonita é Daniela!
Palavra de seu avô.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Caminhantes
Sou poeta do acaso.
Falo da vida à toa.
De um tempo colhi pimpolhos.
D’outros retoulhos.
Na algibeira restou-me a lida.
Da alheia
ribalta ao norte
não lhe restou folhetim.
Cavouco a insistência
para colher paciência.
Sou do azougue
a tordilha.
Alhures cacei algures.
Foi-me de Homero a Ilíade.
De Romeu a Julieta.
Da romiseta o terceiro pneu.
De 22 fui o único.
De vindo foi num chegando.
De casto cá estou moderno.
Prostrado aos pés do altíssimo.
Suplico a voz do encanto
de um canto que a tudo atinja.
Que a tinja da veste santa
que em outro tempo foi mancha:
Na Inquisição do Divino.
Açoite de alguma rima.
Que a pinte as tintas de agora.
Navegue no virtual.
Mares nunca d’antes navegado,
por nossa saudosa língua.
Falo da vida à toa.
De um tempo colhi pimpolhos.
D’outros retoulhos.
Na algibeira restou-me a lida.
Da alheia
ribalta ao norte
não lhe restou folhetim.
Cavouco a insistência
para colher paciência.
Sou do azougue
a tordilha.
Alhures cacei algures.
Foi-me de Homero a Ilíade.
De Romeu a Julieta.
Da romiseta o terceiro pneu.
De 22 fui o único.
De vindo foi num chegando.
De casto cá estou moderno.
Prostrado aos pés do altíssimo.
Suplico a voz do encanto
de um canto que a tudo atinja.
Que a tinja da veste santa
que em outro tempo foi mancha:
Na Inquisição do Divino.
Açoite de alguma rima.
Que a pinte as tintas de agora.
Navegue no virtual.
Mares nunca d’antes navegado,
por nossa saudosa língua.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Tributo a Mercedes Sosa
Agradecimentos à Violeta Parra, autora dos versos de “Gracias a la vida”, que tranformou-se em ícone musical das Américas, na voz da inesquecível Mercedes Sosa.
Gracias à Mercedes,
que a vida me é tanto.
Lampiões acesos
mostram-me o caminho.
Seu cantar ecoa
em nossos destinos.
Cantante latina
que me envolve tanto.
O céu estrelado fulge o seu amor.
Gracias à Mercedes Sosa
que me envolve tanto.
Mito de la vida.
Canta noche y dia,
toda a natureza.
Brumas matutinas, ecos vespertinos.
Gracias, mi Mercedes Sosa.
Gracias a la voz da América.
Nascida Argentina.
Adotada pelo pueblo de Chile.
Cantante de los países latinos.
Amada por Chico, Caetano e Gil.
O que dá sentido às palavras aladas?
Paixão devotada a su madre,
su amigo, su hermano.
Intensidade da alma
aflorada em nome da arte.
Gracias a la vida
de Mercedes Sosa.
Caminhante eterna
das cidades, praias,
montanhas, chapadas.
Seus desertos
moram em sua rua.
Gracias a la vida
que de corazón,
me há dado tanto.
Seus olhos cerrados
já não miram frutos,
mas o seu legado
marca o nosso rumo.
Eu destaco os versos.
Encontro sorrisos,
shows intermináveis
que é o meu próprio canto.
Gracias à Mercedes Sosa
toda a nossa trilha.
Que me alegro tanto.
Que me envolvo todo.
Gracias a la vida
e todo su canto.
Gracias à Mercedes,
que a vida me é tanto.
Lampiões acesos
mostram-me o caminho.
Seu cantar ecoa
em nossos destinos.
Cantante latina
que me envolve tanto.
O céu estrelado fulge o seu amor.
Gracias à Mercedes Sosa
que me envolve tanto.
Mito de la vida.
Canta noche y dia,
toda a natureza.
Brumas matutinas, ecos vespertinos.
Gracias, mi Mercedes Sosa.
Gracias a la voz da América.
Nascida Argentina.
Adotada pelo pueblo de Chile.
Cantante de los países latinos.
Amada por Chico, Caetano e Gil.
O que dá sentido às palavras aladas?
Paixão devotada a su madre,
su amigo, su hermano.
Intensidade da alma
aflorada em nome da arte.
Gracias a la vida
de Mercedes Sosa.
Caminhante eterna
das cidades, praias,
montanhas, chapadas.
Seus desertos
moram em sua rua.
Gracias a la vida
que de corazón,
me há dado tanto.
Seus olhos cerrados
já não miram frutos,
mas o seu legado
marca o nosso rumo.
Eu destaco os versos.
Encontro sorrisos,
shows intermináveis
que é o meu próprio canto.
Gracias à Mercedes Sosa
toda a nossa trilha.
Que me alegro tanto.
Que me envolvo todo.
Gracias a la vida
e todo su canto.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Filipe com I e Luz
Filipe chegou com “i” para inovar o nascimento.
Com a inspiração dos anjos, para irmanar os separados.
Para irradiar energia à avó, a irreparável força da vida.
Fez sorrir sem fazer graça e chorar sem distribuir dor.
Tem no olhar a magia dos animais
que nos dizem todas as coisas
ditas sem voz e palavras.
Pequeno gigante
que aporta no porto da vida.
Tem o seguro de pai e mãe
e a garantia de avós.
A garatuja de iguais.
A promessa de cirandas.
A certeza da mira dos gudes.
Meu pequeno Filipe com “i”.
Invasor de nossos sonhos.
Intercessor de nossos caminhos.
Príncipe de todos os reinos.
Depositário de todas as nossas esperanças.
Vaga uma lenda
que no farol de sua estrada
as luzes não vão se apagar.
E as estrelas, todas elas,
serão para sempre suas.
São guizos para te fazer cantar.
No mundo podes escolher
tudo que lhe convir.
Religião, clube, profissão e mulher.
Mas pese bem cada escolha,
Pra não errar de Deus, não virar casaca,
não operar pelo capital e pensar que exista
alguma mulher diferente.
Meu pequeno Filipe valente.
Que ousou brotar nesta vida.
Seja bem vindo menino redentor.
Traga pra gente a sua alegria.
Receba de terno, todo o nosso amor.
Com a inspiração dos anjos, para irmanar os separados.
Para irradiar energia à avó, a irreparável força da vida.
Fez sorrir sem fazer graça e chorar sem distribuir dor.
Tem no olhar a magia dos animais
que nos dizem todas as coisas
ditas sem voz e palavras.
Pequeno gigante
que aporta no porto da vida.
Tem o seguro de pai e mãe
e a garantia de avós.
A garatuja de iguais.
A promessa de cirandas.
A certeza da mira dos gudes.
Meu pequeno Filipe com “i”.
Invasor de nossos sonhos.
Intercessor de nossos caminhos.
Príncipe de todos os reinos.
Depositário de todas as nossas esperanças.
Vaga uma lenda
que no farol de sua estrada
as luzes não vão se apagar.
E as estrelas, todas elas,
serão para sempre suas.
São guizos para te fazer cantar.
No mundo podes escolher
tudo que lhe convir.
Religião, clube, profissão e mulher.
Mas pese bem cada escolha,
Pra não errar de Deus, não virar casaca,
não operar pelo capital e pensar que exista
alguma mulher diferente.
Meu pequeno Filipe valente.
Que ousou brotar nesta vida.
Seja bem vindo menino redentor.
Traga pra gente a sua alegria.
Receba de terno, todo o nosso amor.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Alma de poeta
Eu conheço um poeta
que mora longe,
mas vive dentro de mim.
Às vezes ele se inquieta com a minha carapaça inútil
debruça-se na alma
e se manifesta em versos.
Quando se cansa da minha capa balouçante,
que anda de ônibus
e pega trem de subúrbio,
salta meu poeta do enjoo da Cantareira
e singra mares castanhos,
às margens das terras de Araribóia.
E navega num barco à vela
em busca de rima nova ou prosa.
Onde mora a inspiração?
Seria perto do coração?
Ou salta das artérias?
Do cerebelo ou dos cabelos?
Cérebros são criadores ou receptores literários?
Poemas deixam ou adentram o corpo?
Vá saber, vago poeta!
Que de todo muito
me conta um pouco.
E de todo pouco sempre vale muito.
Artesão de frases que voam
e às vezes pousam, às bordas da emoção.
Poeta invasor ou intercessor.
Pouco importa a sua origem.
Escreva mais na minha alma
que eu lhe confesso o meu segredo:
Sou caçador de sonho azul.
que mora longe,
mas vive dentro de mim.
Às vezes ele se inquieta com a minha carapaça inútil
debruça-se na alma
e se manifesta em versos.
Quando se cansa da minha capa balouçante,
que anda de ônibus
e pega trem de subúrbio,
salta meu poeta do enjoo da Cantareira
e singra mares castanhos,
às margens das terras de Araribóia.
E navega num barco à vela
em busca de rima nova ou prosa.
Onde mora a inspiração?
Seria perto do coração?
Ou salta das artérias?
Do cerebelo ou dos cabelos?
Cérebros são criadores ou receptores literários?
Poemas deixam ou adentram o corpo?
Vá saber, vago poeta!
Que de todo muito
me conta um pouco.
E de todo pouco sempre vale muito.
Artesão de frases que voam
e às vezes pousam, às bordas da emoção.
Poeta invasor ou intercessor.
Pouco importa a sua origem.
Escreva mais na minha alma
que eu lhe confesso o meu segredo:
Sou caçador de sonho azul.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
As ruas da minha cidade
Uma rua que se liga a outra rua.
E mais outra que entrecorta uma avenida,
que termina numa praça,
e dá entroncamento a outras ruas.
São caminhos desta cidade,
onde, com sorte,
todos os dias,
entre duas colunas de prédios,
a lua vem lavar de prata
a minha janela.
Ainda pego a estrada
e volto às minhas origens,
onde os astros
vinham iluminar
os nossos ninhos.
Uma rua e outra rua.
Onde com sorte
passa um bonde
que me carrega
pro longe
e à noite
traz minha amada.
E todas se interligam.
São caminhos
desta cidade
onde a cismar no meu canto,
entre dois pilotis,
tarda no colo o espanto.
Descíamos a Estrada da Gávea
e no rodo do bonde,
pegávamos à condução.
Se possuía um nome aquela praça,
na minha memória,
os bondes tomaram-no de assalto.
Onde com sorte eu encontro
um ou outro conhecido
que abana a mão ao acaso:
segundos de uma amizade.
Ai que saudades eu tenho
da rua solteira do meu vilarejo de outrora,
onde numa prosa eu perdia um dia
e ganhava a noite numa roda de viola.
Ai se eu pudesse, voltava,
pra minha rua descalça,
que me transportava aos galopes,
pras ruas desta cidade.
Onde uma rua se liga a outra rua
e outra a uma nova rua.
Retalhos desta metrópole do mundo.
A praia do Leblon
ficava distante,
mas apeávamos a
Marquês de São Vicente,
dobrávamos a Bartolomeu Mitre
e já estávamos lá.
O mar batia na areia
e corria como um rio.
E mais outra que entrecorta uma avenida,
que termina numa praça,
e dá entroncamento a outras ruas.
São caminhos desta cidade,
onde, com sorte,
todos os dias,
entre duas colunas de prédios,
a lua vem lavar de prata
a minha janela.
Ainda pego a estrada
e volto às minhas origens,
onde os astros
vinham iluminar
os nossos ninhos.
Uma rua e outra rua.
Onde com sorte
passa um bonde
que me carrega
pro longe
e à noite
traz minha amada.
E todas se interligam.
São caminhos
desta cidade
onde a cismar no meu canto,
entre dois pilotis,
tarda no colo o espanto.
Descíamos a Estrada da Gávea
e no rodo do bonde,
pegávamos à condução.
Se possuía um nome aquela praça,
na minha memória,
os bondes tomaram-no de assalto.
Onde com sorte eu encontro
um ou outro conhecido
que abana a mão ao acaso:
segundos de uma amizade.
Ai que saudades eu tenho
da rua solteira do meu vilarejo de outrora,
onde numa prosa eu perdia um dia
e ganhava a noite numa roda de viola.
Ai se eu pudesse, voltava,
pra minha rua descalça,
que me transportava aos galopes,
pras ruas desta cidade.
Onde uma rua se liga a outra rua
e outra a uma nova rua.
Retalhos desta metrópole do mundo.
A praia do Leblon
ficava distante,
mas apeávamos a
Marquês de São Vicente,
dobrávamos a Bartolomeu Mitre
e já estávamos lá.
O mar batia na areia
e corria como um rio.
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