Homenagem a algumas das pessoas com quem dividi as vielas da minha querida Favela do Parque da Cidade. Éramos uma vila de proletários. Gente feliz que partilhava com o próximo uma caneca de feijão ou um punhado de arroz. A solidariedade humana era um bem comum.
Dona Maria Petica pechincha
na birosca do seu João:
Quer dois quilos de carne-seca,
meio de paio e uma sobremesa das Gerais.
O seu João da birosca
importou 35 parentes
no Natal.
Quer fundar uma nova Olinda
no Parque da Cidade, no alto da Gávea.
Onde passa um bloco de lata no carnaval.
Latões comprados no laboratório
Moura Brasil. Santo remédio contra a tristeza.
Guta na harmonia, Vavá no repique
e o povo na alegria tirada do batuque.
As bailarinas do samba
desfilam a vinte centímetros do chão.
São deusas momescas
que não ousam macular o solo sagrado.
O tilintar dos botijões de gás traz
a sonoridade para a fila explosiva de sábado.
Em nossa seca particular
centenas de latas de vinte abastecidas
na única torneira do lugar.
Carregam um rio enlatado morro acima.
Na inversão do leito natural
das águas bentas.
Antônio maluco,
carregador oficial
de material de construção.
Quem te carregou o juízo?
Chefinho, de fala mansa,
passos curtinhos, concorrente único
do maluco no ofício de carregar.
Passinho, goleiro do Botafogo
que deixava a bola passar sob as pernas
para defendê-la pelo rabo num salto mortal.
Sua mãe, Dona Maria,
nas noites de sexta-feira,
reunia a criançada para contar
estórias de encantamento,
do tempo do era uma vez.
Havia ainda outra Maria,
que era a Mira, minha mãe.
Esta detinha o segredo,
do milagre da multiplicação dos pães.
A tia Cida,
mãos benfazejas,
enfermeira e parteira
a receber novas vidas
e a salvar outras tantas.
A senhora Dona Lica,
domadora de luzes,
nos rezava de quebranto,
costela caída e espanto.
E nos curava de encosto
e de desgosto de amor.
O Pinga bêbado
caído na vala.
Meu super-herói preferido
O que melhor sabia voar
e vencer os percalços da existência.
Este lhes digo com orgulho,
pernambucano arretado
de quatro costados e um tratado:
até o fim da missão, seria ele o meu pai.
Rico, amigo raro
dos gols articulados no campo das madres.
Nos sonhos de estudar tanto até se formar cidadão.
Por quê Deus te quis tão cedo nos Reinos do Céu?
Devia estar precisado de reforço no time dos anjos.
Ninguém pode imaginar
o que seja o cantar dos galos na madrugada,
o latido dos cães no passar dos cavalariços,
o uivo da mula-sem-cabeça,
antecedendo as tempestades.
É lá no morro que os sonhos
existem com maior intensidade.
Na refavela tudo pode mudar
a qualquer tempo.
Só depende de como Deus
queira nos olhar.
E sabíamos tantas Marias
e também tantos Josés
que se Deus precisasse
de substitutos,
formaríamos filas de candidatos
para a procissão de fé.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
A vida é bela
A vida é uma bobagem.
Um somatório ilusório de beijos,
abraços, afagos, sorrisos e lágrimas.
De nada valem estudos, pesquisas, avanços,
os livros escritos aos milhares,
páginas e páginas a descortinar a náusea.
Ginástica, acarajé e feijoada.
Tomar sal de frutas e fazer amor.
Pular amarelinha e jogar damas.
Descortinar o dia com raios solares
ou lavar a cara com a chuva da manhã.
Cantar as músicas de todos os acordes.
Dançar um samba miudinho e lambreta.
Tocar corneta na torcida do Fogão.
Divagar sobre a comida no aparador.
Varrer o sótão e dependurar as roupas no varal.
Cuidar dos pássaros e ser cercada pelos cães.
Importar toda a emoção da novela
e não se importar com o roubo dos ladrões.
Bordar os guardanapos e tingir a calça velha.
Plantar uma muda de sempre-viva no portão.
E pendurar no prego as mágoas do coração.
Mostrar a beleza que Deus emprestou
e apesar da luta, o tempo não estragou.
A vida decantada em prosa e verso.
Pintada e repaginada sob a ótica de quem vive.
Se a vida morre mesmo um pouco a cada dia.
Também se ganha um dia a mais na Rede Vida.
Se já não posso mais levar meu pai ao cinema.
Posso assistir a “Doce Vida” de Fellini.
A “Vida é Bela” também passa na telona.
E minha irmã de vez em quando me telefona.
Posso ir ver as garotas de Ipanema.
Tomar um chope e cantar a Madalena.
Atravessar a Rua Larga que hoje é pequena.
E dar um beijo no cachorro do vizinho.
Tomar um vinho no Dom Camillo, lá em Copa.
Sem me importar se por lá não tenho amigos.
Dar um abraço no bêbado da outra mesa.
E lançar um berro sob a placa de silêncio.
E se valer à pena eu danço um xote.
Dou um pinote em sua casa e juro amor.
Mostro que no inverso da amargura
mora a doçura do sorriso de uma dor.
A vida é bela.
Não é nada uma bobagem.
Tenho tentado uma saída pra virada.
Quero mostrar que todo sonho é azul.
Um somatório ilusório de beijos,
abraços, afagos, sorrisos e lágrimas.
De nada valem estudos, pesquisas, avanços,
os livros escritos aos milhares,
páginas e páginas a descortinar a náusea.
Ginástica, acarajé e feijoada.
Tomar sal de frutas e fazer amor.
Pular amarelinha e jogar damas.
Descortinar o dia com raios solares
ou lavar a cara com a chuva da manhã.
Cantar as músicas de todos os acordes.
Dançar um samba miudinho e lambreta.
Tocar corneta na torcida do Fogão.
Divagar sobre a comida no aparador.
Varrer o sótão e dependurar as roupas no varal.
Cuidar dos pássaros e ser cercada pelos cães.
Importar toda a emoção da novela
e não se importar com o roubo dos ladrões.
Bordar os guardanapos e tingir a calça velha.
Plantar uma muda de sempre-viva no portão.
E pendurar no prego as mágoas do coração.
Mostrar a beleza que Deus emprestou
e apesar da luta, o tempo não estragou.
A vida decantada em prosa e verso.
Pintada e repaginada sob a ótica de quem vive.
Se a vida morre mesmo um pouco a cada dia.
Também se ganha um dia a mais na Rede Vida.
Se já não posso mais levar meu pai ao cinema.
Posso assistir a “Doce Vida” de Fellini.
A “Vida é Bela” também passa na telona.
E minha irmã de vez em quando me telefona.
Posso ir ver as garotas de Ipanema.
Tomar um chope e cantar a Madalena.
Atravessar a Rua Larga que hoje é pequena.
E dar um beijo no cachorro do vizinho.
Tomar um vinho no Dom Camillo, lá em Copa.
Sem me importar se por lá não tenho amigos.
Dar um abraço no bêbado da outra mesa.
E lançar um berro sob a placa de silêncio.
E se valer à pena eu danço um xote.
Dou um pinote em sua casa e juro amor.
Mostro que no inverso da amargura
mora a doçura do sorriso de uma dor.
A vida é bela.
Não é nada uma bobagem.
Tenho tentado uma saída pra virada.
Quero mostrar que todo sonho é azul.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Emília de Pano
O homem espia a criação de Deus.
Fico a imaginar onde tu possas
guardar o teu encanto.
Sob as vestes da noite rola a lua.
Milhões de luzes estrelares
ofuscam em alguma parte
o brilho do teu olhar.
Seresteiros na esquina
dobram cifrados poemas,
cantam outras bonecas
em seus instrumentos de cordas.
Dona Benta e o Visconde de Sabugosa
transformam a vida em brincadeiras de roda.
Doce escultura divina.
Enfeite da vida terrena.
Anjo que transita soberano
a garimpar brilhos nos olhos infantis
com sua alma de pano.
Quando o lume da manhã
incendeia o dia outra vez,
tu vagas sobre corações perdidos
o lânguido voo das águias
e pousa no porto seguro
dos desejos universais das crianças.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Poemeto
Poema em homenagem à filha de um povo que luta pela liberdade e pelo bem-estar de sua gente.
Dáme la mano
rayto de sol.
Pra desbravar as brumas
das manhãs de maio.
De onde te vem os olhos?
Do povo do teu caminho.
O hino do vosso ninho.
Canção que não sei cantar.
De onde te vem os olhos?
Longe das almas mães.
Lâmpadas das mãos.
Marisol.
Que rumo te traça a vida?
O povo do teu caminho.
As naves, estradas, o trilho.
As estrelas e os espinhos.
Pra onde vai tua nau?
As bruxas, os reis, bicho-papão.
Boneca de pano, cantiga de ninar.
Menina de cinco tempos
dáme la mano
com as chaves do amanhã.
Dáme la mano
rayto de sol.
Pra desbravar as brumas
das manhãs de maio.
De onde te vem os olhos?
Do povo do teu caminho.
O hino do vosso ninho.
Canção que não sei cantar.
De onde te vem os olhos?
Longe das almas mães.
Lâmpadas das mãos.
Marisol.
Que rumo te traça a vida?
O povo do teu caminho.
As naves, estradas, o trilho.
As estrelas e os espinhos.
Pra onde vai tua nau?
As bruxas, os reis, bicho-papão.
Boneca de pano, cantiga de ninar.
Menina de cinco tempos
dáme la mano
com as chaves do amanhã.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Para fazer poesia
Eu queria ser um poeta português
pra fazer verso como se fizesse pão francês,
uísque escocês,
vinho italiano.
No emprego da palavra
possuísse o poder de sedução
da mulher que dança.
A força do atleta no arranque.
Pudesse sentir a dor da árvore
no corte do machado.
Queria fazer versos
como se vivesse em Lisboa,
partindo para desbravar mares
e conquistar terras brasis,
em rotas orientais.
Produzisse versos
sabor de goiabada com queijo
e cheiro de chocolate.
Que tivessem o ritmo de samba com tango
e o gingado de um xaxado.
Conceber a poesia
com a alma
das rendeiras do Algarve,
pois elas são benzedeiras...
e acabam nos desejando o Céu.
Anseio por estrofes fortes,
encanto das raparigas,
deslumbramento dos homens pobres,
transformados em insones
senhores de botequim.
E a embriaguez
do poema
fizesse voar as garças.
Que, às vezes, são como anjos:
pousam sua majestade,
em lodo de rio morto.
pra fazer verso como se fizesse pão francês,
uísque escocês,
vinho italiano.
No emprego da palavra
possuísse o poder de sedução
da mulher que dança.
A força do atleta no arranque.
Pudesse sentir a dor da árvore
no corte do machado.
Queria fazer versos
como se vivesse em Lisboa,
partindo para desbravar mares
e conquistar terras brasis,
em rotas orientais.
Produzisse versos
sabor de goiabada com queijo
e cheiro de chocolate.
Que tivessem o ritmo de samba com tango
e o gingado de um xaxado.
Conceber a poesia
com a alma
das rendeiras do Algarve,
pois elas são benzedeiras...
e acabam nos desejando o Céu.
Anseio por estrofes fortes,
encanto das raparigas,
deslumbramento dos homens pobres,
transformados em insones
senhores de botequim.
E a embriaguez
do poema
fizesse voar as garças.
Que, às vezes, são como anjos:
pousam sua majestade,
em lodo de rio morto.
Feliz aniversário
Fazer aniversário é renascer
para uma vida curta.
Inaugurar uma idade nova.
Única. Nunca realizada.
Para sempre a primeira
e a última aventura.
Desbravar o tempo
que não se repete,
é missão de somar
segundos preciosos
no placar da existência.
Adicionar açúcar ao sal.
Secar lágrimas e abrir sorrisos.
Guardar segredos.
Contar histórias.
Fazer aniversário sempre
vale a pena.
É a garantia de observar o voo
e a sonoridade dos pássaros.
As aves são anjos disfarçados
a medir a intensidade dos nossos pecados.
É a certeza de poder acompanhar
o crescimento das árvores.
Sentir na pele o calor do sol
e os pingos da chuva.
O milagre da faísca dos relâmpagos
e o estrondo dos trovões.
Ouvir o latido dos cães
a nos contar que são nossos melhores amigos.
E sonhar que a fome pode ser menor
para milhões de famintos.
Abro uma prece a mais linda princesa
e clamo bem-aventurança.
Fazer cinquenta e quatro aniversários
é um selo de garantia de sobrevivência.
Portanto, mereça os parabéns da vida,
pois ela te merece.
para uma vida curta.
Inaugurar uma idade nova.
Única. Nunca realizada.
Para sempre a primeira
e a última aventura.
Desbravar o tempo
que não se repete,
é missão de somar
segundos preciosos
no placar da existência.
Adicionar açúcar ao sal.
Secar lágrimas e abrir sorrisos.
Guardar segredos.
Contar histórias.
Fazer aniversário sempre
vale a pena.
É a garantia de observar o voo
e a sonoridade dos pássaros.
As aves são anjos disfarçados
a medir a intensidade dos nossos pecados.
É a certeza de poder acompanhar
o crescimento das árvores.
Sentir na pele o calor do sol
e os pingos da chuva.
O milagre da faísca dos relâmpagos
e o estrondo dos trovões.
Ouvir o latido dos cães
a nos contar que são nossos melhores amigos.
E sonhar que a fome pode ser menor
para milhões de famintos.
Abro uma prece a mais linda princesa
e clamo bem-aventurança.
Fazer cinquenta e quatro aniversários
é um selo de garantia de sobrevivência.
Portanto, mereça os parabéns da vida,
pois ela te merece.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Para dizer que te amo
João Alberto, o teu choro inaugural
foi hino aos meus ouvidos.
Teu primeiro sorriso vazio
me encheu o coração de felicidade.
Os teus cabelos fulvos, olhos fugidios,
indefinidos no verde da mãe
e no castanho do pai.
Teu semblante carregado
na beleza materna
e teu corpo espichado,
puxado ao pater poder.
Foste encomenda de amor,
menino poesia.
Tens a força de transmitir
este sentimento.
Pedaço pequeno da nossa paixão.
Divisão humana dos nossos pés,
das nossas mãos, dos nossos corações.
Senhor supremo dos nossos destinos.
Dono das nossas vontades.
Farol da nossa razão.
João Alberto, filho da nossa alegria.
Prova concreta da nossa existência.
Identidade viva das nossas vidas.
Pequeno mundo em nosso caminho.
Batuque intenso em nosso peito.
Nossas vozes lançadas mudas,
dizendo ao outro:
Eu te amo.
João Alberto, pedaço maior de nós dois.
Te olho profundamente
nos teus olhinhos difusos
e penso como seria bom se existisses.
foi hino aos meus ouvidos.
Teu primeiro sorriso vazio
me encheu o coração de felicidade.
Os teus cabelos fulvos, olhos fugidios,
indefinidos no verde da mãe
e no castanho do pai.
Teu semblante carregado
na beleza materna
e teu corpo espichado,
puxado ao pater poder.
Foste encomenda de amor,
menino poesia.
Tens a força de transmitir
este sentimento.
Pedaço pequeno da nossa paixão.
Divisão humana dos nossos pés,
das nossas mãos, dos nossos corações.
Senhor supremo dos nossos destinos.
Dono das nossas vontades.
Farol da nossa razão.
João Alberto, filho da nossa alegria.
Prova concreta da nossa existência.
Identidade viva das nossas vidas.
Pequeno mundo em nosso caminho.
Batuque intenso em nosso peito.
Nossas vozes lançadas mudas,
dizendo ao outro:
Eu te amo.
João Alberto, pedaço maior de nós dois.
Te olho profundamente
nos teus olhinhos difusos
e penso como seria bom se existisses.
terça-feira, 7 de abril de 2009
O Diadema de Inacinha
Este poema é uma homenagem à Alessandra Cali, a pessoa mais doce com quem tivemos oportunidade de conviver na empresa em que trabalhamos.
Pegaram o diadema de Inacinha
Que era tão pequenininha
Que chorou a jornada inteira
Mais à noite
E trinta e outros dias.
Suas madeixas na cintura
Sem tiara na cabeça
Sem ter trança
Pouco zelo
Pobrezinha da Inacinha.
Foi na calada da noite
Troça da ama
ou da vizinha.
Foi na brincadeira de roda.
Quiçá, na amarelinha.
Ou foi no banho escondido
Pelada no riachão.
Foi no galope do alazão
Ou no tranco do zebu
Talvez na poda da roça
Quem sabe no ninho da galinha?
Nem reza forte ajudou
Nem prece pra São Longuinho
Falhou o faro do cachorro
Sumiu no guizo da ventania
Foi troca de Pererê Saci
Brincadeira de duende
Encomenda de menino travesso
Esquecimento de cabeça de vento
Foi por ali
No alvoroço
Sem deixar
Nenhum vestígio
Sem que olhos
Fossem postos
Sem o calado da vítima
Que um dia três de maio
Varava uma chuva fina
que se misturou
aos prantos
da pequenina Inacinha.
Desde então
digo seu moço
Caço nas cismas do mundo
O brilho do seu olhar
A sua ternura de anjo
O seu gozo de menina.
Recebeu Menção Honrosa no 11º Concurso Literário do Servidor Público do Estado do Rio de Janeiro promovido pela FESP no ano de 2004.
Pegaram o diadema de Inacinha
Que era tão pequenininha
Que chorou a jornada inteira
Mais à noite
E trinta e outros dias.
Suas madeixas na cintura
Sem tiara na cabeça
Sem ter trança
Pouco zelo
Pobrezinha da Inacinha.
Foi na calada da noite
Troça da ama
ou da vizinha.
Foi na brincadeira de roda.
Quiçá, na amarelinha.
Ou foi no banho escondido
Pelada no riachão.
Foi no galope do alazão
Ou no tranco do zebu
Talvez na poda da roça
Quem sabe no ninho da galinha?
Nem reza forte ajudou
Nem prece pra São Longuinho
Falhou o faro do cachorro
Sumiu no guizo da ventania
Foi troca de Pererê Saci
Brincadeira de duende
Encomenda de menino travesso
Esquecimento de cabeça de vento
Foi por ali
No alvoroço
Sem deixar
Nenhum vestígio
Sem que olhos
Fossem postos
Sem o calado da vítima
Que um dia três de maio
Varava uma chuva fina
que se misturou
aos prantos
da pequenina Inacinha.
Desde então
digo seu moço
Caço nas cismas do mundo
O brilho do seu olhar
A sua ternura de anjo
O seu gozo de menina.
Recebeu Menção Honrosa no 11º Concurso Literário do Servidor Público do Estado do Rio de Janeiro promovido pela FESP no ano de 2004.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
A Praça
As casas abraçam a praça,
que abraça as pessoas que passam
e acolhe a História do Brasil.
Na ponta extrema,
esquerda de algum lugar,
doze elefantes vermelhos coreografam
danças de uma tribo distante.
Alados homens de língua russa
voam num balé clássico.
Na outra ponta, onde se disputa
uma devassa negra, loira
ou ruiva, geladas:
o Odeon passa um filme
norte-americano do ano passado.
No permanente palco político,
em frente à Câmara,
idealistas clamam por
posições de sonhos.
Na Biblioteca Nacional
arquiva-se tudo o que foi
escrito no país e
ninguém nunca leu.
Os pombos e a praça.
Libertas Quae Sera Tamen.
Cem anos de Theatro Municipal.
Amarelinho desde 1921.
A Rio Branco despeja
um trânsito frenético
vindo das áreas mais
pobres da cidade,
rumo às zonas mais abonadas.
Uma estátua humana aceita
alguns centavos
em troca de um movimento
e de um sorriso.
Um homem doido solta
fogo pela boca.
E um pivete de toda hora
corre afoito entre o povo
com o celular que acabou de afanar.
A praça desfila moda de todas as classes
e serve de morada para os excluídos sociais.
Um turista suíço ferve e a verve de nada lhe vale.
A Cinelândia das Belas Artes tem a nossa cara.
que abraça as pessoas que passam
e acolhe a História do Brasil.
Na ponta extrema,
esquerda de algum lugar,
doze elefantes vermelhos coreografam
danças de uma tribo distante.
Alados homens de língua russa
voam num balé clássico.
Na outra ponta, onde se disputa
uma devassa negra, loira
ou ruiva, geladas:
o Odeon passa um filme
norte-americano do ano passado.
No permanente palco político,
em frente à Câmara,
idealistas clamam por
posições de sonhos.
Na Biblioteca Nacional
arquiva-se tudo o que foi
escrito no país e
ninguém nunca leu.
Os pombos e a praça.
Libertas Quae Sera Tamen.
Cem anos de Theatro Municipal.
Amarelinho desde 1921.
A Rio Branco despeja
um trânsito frenético
vindo das áreas mais
pobres da cidade,
rumo às zonas mais abonadas.
Uma estátua humana aceita
alguns centavos
em troca de um movimento
e de um sorriso.
Um homem doido solta
fogo pela boca.
E um pivete de toda hora
corre afoito entre o povo
com o celular que acabou de afanar.
A praça desfila moda de todas as classes
e serve de morada para os excluídos sociais.
Um turista suíço ferve e a verve de nada lhe vale.
A Cinelândia das Belas Artes tem a nossa cara.
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